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domingo, 7 de novembro de 2010
JORGE COSTA - UM FAZEDOR DE COLHERES DE PAU
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quarta-feira, 10 de março de 2010
ARTESANATO DE PENA COVA
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quarta-feira, 3 de junho de 2009
PALITOS PENACOVA
Entre nós o fabrico de palitos tem-se conservado como industria caseira, passando de geração em geração, porque os chefes de família obrigam a isso os filhos, principalmente as raparigas, que, desde os 7 anos nela se vão aperfeiçoando e desenvolvendo até que estejam aptas para receber como dote de casamento, depois dos 17 ou 18 anos, uma faca e uma correia, instrumentos preciosos e suficientes para abastança do seu futuro lar.
0 corte do salgueiro branco, nos campos de Coimbra, Golegã, Santarém e nas margens do Ceira e Mondego, a jusante de Penacova, faz-se em Novembro, Dezembro e, na sua quase totalidade, em Janeiro; convindo não apanhar chuva na ocasião da colheita, para a madeira não ficar dura em excesso.
Os meses de Fevereiro e Março são destinados ao preparo da madeira, isto é, a descasca, racha (abertura de alto a baixo) e secagem ao sol ou mesmo á sombra. Depois, quando querem fazer uso dela, se esta húmida, levam-na ao forno a temperatura de cozer pão, de onde sai para ser cortada ou serrada em troços e estes rachados pela faca inglesa em varas pequenas para os palitos. Há paliteiro tão adestrado que pega numa mão cheia dessas pequenas varas e, com uma ligeireza espantosa, faz 6 e 8 palitos de uma vez. É isto vulgar em Lorvão, única terra em que se fabrica o palito mais ordinário, que denominam palito magano.
Estranhando nós que, sendo Lorvão a mãe, a escola, desta indústria, seja ali que se fabrique a maior parte dos palitos ordinários, responderam-nos que, se os discípulos se dedicassem ao fabrico de palitos baratos (maganos), não ganhavam para comer. Efectivamente os paliteiros de Lorvão dedicam-se de preferência ao fabrico do palito mais barato; porque eles como mais peritos na arte, que vem de muitas gerações, são os que sabem aproveitar melhor a madeira, dividindo-a com rapidez em bocadinhos, pegando neles em grupos e fazendo uns poucos de palitos ao mesmo tempo.
E em Lorvão e no lugar de Lavatodos, da mesma freguesia, que os fabricantes trabalham habitualmente na confecção de palitos, sendo também apenas nesta freguesia que os homens se dedicam a esta industria. Nos outros lugares o trabalho é intermitente, pois e apenas nas horas vagas dos serviços do campo e lidas domesticas que os seus habitantes se dedicam a industria dos palitos.
0 corte do salgueiro branco, nos campos de Coimbra, Golegã, Santarém e nas margens do Ceira e Mondego, a jusante de Penacova, faz-se em Novembro, Dezembro e, na sua quase totalidade, em Janeiro; convindo não apanhar chuva na ocasião da colheita, para a madeira não ficar dura em excesso.
Os meses de Fevereiro e Março são destinados ao preparo da madeira, isto é, a descasca, racha (abertura de alto a baixo) e secagem ao sol ou mesmo á sombra. Depois, quando querem fazer uso dela, se esta húmida, levam-na ao forno a temperatura de cozer pão, de onde sai para ser cortada ou serrada em troços e estes rachados pela faca inglesa em varas pequenas para os palitos. Há paliteiro tão adestrado que pega numa mão cheia dessas pequenas varas e, com uma ligeireza espantosa, faz 6 e 8 palitos de uma vez. É isto vulgar em Lorvão, única terra em que se fabrica o palito mais ordinário, que denominam palito magano.
Estranhando nós que, sendo Lorvão a mãe, a escola, desta indústria, seja ali que se fabrique a maior parte dos palitos ordinários, responderam-nos que, se os discípulos se dedicassem ao fabrico de palitos baratos (maganos), não ganhavam para comer. Efectivamente os paliteiros de Lorvão dedicam-se de preferência ao fabrico do palito mais barato; porque eles como mais peritos na arte, que vem de muitas gerações, são os que sabem aproveitar melhor a madeira, dividindo-a com rapidez em bocadinhos, pegando neles em grupos e fazendo uns poucos de palitos ao mesmo tempo.
E em Lorvão e no lugar de Lavatodos, da mesma freguesia, que os fabricantes trabalham habitualmente na confecção de palitos, sendo também apenas nesta freguesia que os homens se dedicam a esta industria. Nos outros lugares o trabalho é intermitente, pois e apenas nas horas vagas dos serviços do campo e lidas domesticas que os seus habitantes se dedicam a industria dos palitos.
José david afonso

José David Afonso era agricultor em Vila Boa, Vinhais, e começou há seis ou sete anos a fazer pegas em madeira, que surgem das formas naturais dos troncos - dos nós, das curvas e da casca nascem pássaros e figuras humanas. «E eterno o que eu tenho aqui, a madeira de castanheiro bravo não se estraga, disse-me um carpinteiro. Esta peca que parece um policia vai ficar sempre assim e eu gosto. Para lhe dar a forma vi-me e desejei-me».
, Na parede tem os prémios que condecoram a sua batalha de formão e canivete a talhar a madeira dura. «Sempre tive um bocadinho de inspiração, mas não tinha tempo nem vagar. Agora que estou reformado dediquei-me e vendo quase tudo nas feiras».
, Na parede tem os prémios que condecoram a sua batalha de formão e canivete a talhar a madeira dura. «Sempre tive um bocadinho de inspiração, mas não tinha tempo nem vagar. Agora que estou reformado dediquei-me e vendo quase tudo nas feiras».
domingo, 7 de dezembro de 2008
AGOSTINHO GODINHO
segunda-feira, 28 de julho de 2008
JOAQUIM TIAGO

É UM TRABALHO INVULGAR DE PORMENOR e dedicação
Aquele que Joaquim Tiago mostra na sua banca de feira. Com um olhar curioso os passantes debruçam-se para ver melhor. São cenas do quotidiano, feitas sobretudo em cortiça e madeira mas também em lata, com paciência e sentido de observação.
Mostra os engenhos da ceifa do trigo com uma debulhadora antiga, dos tempos em que eram ainda a carvão, ao lado dos modelos mais modernos, retratos do quotidiano alentejano e das suas profissões, que busca e actualiza em cada uma das suas peças. Ao lado, perfiladas, estão as miniaturas de diversas oficinas onde se mostra com verosimilhança os mestres e seus locais de trabalho,com toda a panóplia de instrumentos: o queijeiro, o albardeiro, o ferrador, o fotografo, o barbeiro, e também os locais de lazer e convívio, como a taberna e a adega e ate uma maternidade. Cenários e actos dos ofícios testemunhados por Joaquim Tiago: «Eu não faço isto de qualquer maneira, fui mesmo lá ao sítio ver tudo para não me enganar. Depois construi tudo assim como se vê».A verdade de cada detalhe corresponde a procura da forma certa de fazer, onde nada parece ao acaso, nem mesmo as proporções: «Respeito as coisas, respeito o seu tamanho e por isso e que não faço os homens maiores que os burros». Mas da tudo muito trabalho, como diz, e preciso estar sempre a procura de novas soluções. «E por isso que quando vem ai alguém a pensar que me compra as coisas baratas eu tenho que lhe explicar tudo». Primeiro põe um pequeno motor eléctrico a trabalhar e, com magias por si inventadas, todas as maquinas movimentam, mexem-se as pessoas e acendem-se luzes. Faz então um grande sorriso de quem gosta de mostrar para criar espanto, para fazer parar. Depois apaga tudo na espera de outro momento igual e confessa: «Sabe, e assim, eu gosto mais de mostrar do que vender.
Aquele que Joaquim Tiago mostra na sua banca de feira. Com um olhar curioso os passantes debruçam-se para ver melhor. São cenas do quotidiano, feitas sobretudo em cortiça e madeira mas também em lata, com paciência e sentido de observação.
Mostra os engenhos da ceifa do trigo com uma debulhadora antiga, dos tempos em que eram ainda a carvão, ao lado dos modelos mais modernos, retratos do quotidiano alentejano e das suas profissões, que busca e actualiza em cada uma das suas peças. Ao lado, perfiladas, estão as miniaturas de diversas oficinas onde se mostra com verosimilhança os mestres e seus locais de trabalho,com toda a panóplia de instrumentos: o queijeiro, o albardeiro, o ferrador, o fotografo, o barbeiro, e também os locais de lazer e convívio, como a taberna e a adega e ate uma maternidade. Cenários e actos dos ofícios testemunhados por Joaquim Tiago: «Eu não faço isto de qualquer maneira, fui mesmo lá ao sítio ver tudo para não me enganar. Depois construi tudo assim como se vê».A verdade de cada detalhe corresponde a procura da forma certa de fazer, onde nada parece ao acaso, nem mesmo as proporções: «Respeito as coisas, respeito o seu tamanho e por isso e que não faço os homens maiores que os burros». Mas da tudo muito trabalho, como diz, e preciso estar sempre a procura de novas soluções. «E por isso que quando vem ai alguém a pensar que me compra as coisas baratas eu tenho que lhe explicar tudo». Primeiro põe um pequeno motor eléctrico a trabalhar e, com magias por si inventadas, todas as maquinas movimentam, mexem-se as pessoas e acendem-se luzes. Faz então um grande sorriso de quem gosta de mostrar para criar espanto, para fazer parar. Depois apaga tudo na espera de outro momento igual e confessa: «Sabe, e assim, eu gosto mais de mostrar do que vender.
domingo, 27 de julho de 2008
VINHAIS -- ESCULTURA EM MADEIRA

Um ranger da madeira seca inicia a conversa com Ouzilhão, em Vinhais. As mascaras em madeira enchem as paredes da pequena sala com os seus olhares fabulosos e formas estranhas da tradição pagã. Atrás da bancada de carpinteiro o transmontano vai dando balanço com o pé torneando uma peca. Sempre a trabalhar. so levanta os olhos por segundos: «Foi desde miúdo toda a vida nisto» conta, «Chego a estar aqui ate a uma da manha. As mascaras tem de ser feitas ao lume com um ferro para as marcar e desenhar. É demorado: pega-se num bocado de carvalho ou de outra madeira boa que se escolhe já com uma forma parecida, e depois corta-se e vai-se dando a forma ate sair...».
No topo das mascaras, as figuras da raposa, do veado ou morcego «Se as mascaras fossem coladas não tinham valor, isto tem de ser de uma só peça esculpida na madeira. Olha de novo para cima, agora para as suas obras mais exóticas as que não vende, e mantém preparadas para a festa.
No topo das mascaras, as figuras da raposa, do veado ou morcego «Se as mascaras fossem coladas não tinham valor, isto tem de ser de uma só peça esculpida na madeira. Olha de novo para cima, agora para as suas obras mais exóticas as que não vende, e mantém preparadas para a festa.
testo de Luisa Schmidt(arte factos 5)

O pau e a pedra
Este e o ultimo caderno da série artefactos, o que não quer dizer que o tema esteja esgotado — nem em artistas nem em objectos. Hoje tratamos do pau e da pedra— algo já bem conhecido desde a pré-historia e de que nos ficaram alguns dos mais antigos «artefactos» que a humanidade recorda.
No que respeita a madeira, por todo o pais se encontram marceneiros e artesãos a trabalha-la — desde o grande móvel ate ao pequeno brinquedo. 0 que falta, mais do que trabalhadores, são as madeiras e isso remete para um problema ambiental importante: as madeiras de crescimento rápido são devoradas para pasta de papel ou sangradas para tintas e vernizes. As outras, as boas, não nascem do pé para a mão e não podem ir todas para o serrote. Importam-se então madeiras tropicais, agravando as dores de cabeça ambientais e os pesos da divida do Terceiro Mundo.
Quanto a pedra, Portugal tem recursos espantosos, mas a sua extracção e também ambientalmente susceptível. Usa-la em pequena escala, (aplicar calçada portuguesa em pequenos pavimentos ou em tampos de mesa, usar blocos de pedra para bases de candeeiros, etc.), produziria, sem grandes desgastes, resultados decorativos surpreendentes. Em suma, não faltam ideias nem quem as execute. Falta talvez que os leitores-consumidores descubram como e fácil e muito mais interessante preferir estes «artefactos» a monotonia de objectos anónimos que o grande comércio internacional nos põe nas mãos e nas casas.
Estes nove «artefactos» e os seus cinco cardernos, não são evidentemente a única selecção possível. Ao longo desta experiencia estimulante, visitamos uma infinidade de oficinas, artífices, artistas e artefactos que também mereceriam destaque nestes cadernos. Cabe ao leitor descobri-los. Uma descoberta que pode tomar muito mais interessante a banalidade por vezes rotineira do mais simples passeio no pais.
Luisa Schmidt
Este e o ultimo caderno da série artefactos, o que não quer dizer que o tema esteja esgotado — nem em artistas nem em objectos. Hoje tratamos do pau e da pedra— algo já bem conhecido desde a pré-historia e de que nos ficaram alguns dos mais antigos «artefactos» que a humanidade recorda.
No que respeita a madeira, por todo o pais se encontram marceneiros e artesãos a trabalha-la — desde o grande móvel ate ao pequeno brinquedo. 0 que falta, mais do que trabalhadores, são as madeiras e isso remete para um problema ambiental importante: as madeiras de crescimento rápido são devoradas para pasta de papel ou sangradas para tintas e vernizes. As outras, as boas, não nascem do pé para a mão e não podem ir todas para o serrote. Importam-se então madeiras tropicais, agravando as dores de cabeça ambientais e os pesos da divida do Terceiro Mundo.
Quanto a pedra, Portugal tem recursos espantosos, mas a sua extracção e também ambientalmente susceptível. Usa-la em pequena escala, (aplicar calçada portuguesa em pequenos pavimentos ou em tampos de mesa, usar blocos de pedra para bases de candeeiros, etc.), produziria, sem grandes desgastes, resultados decorativos surpreendentes. Em suma, não faltam ideias nem quem as execute. Falta talvez que os leitores-consumidores descubram como e fácil e muito mais interessante preferir estes «artefactos» a monotonia de objectos anónimos que o grande comércio internacional nos põe nas mãos e nas casas.
Estes nove «artefactos» e os seus cinco cardernos, não são evidentemente a única selecção possível. Ao longo desta experiencia estimulante, visitamos uma infinidade de oficinas, artífices, artistas e artefactos que também mereceriam destaque nestes cadernos. Cabe ao leitor descobri-los. Uma descoberta que pode tomar muito mais interessante a banalidade por vezes rotineira do mais simples passeio no pais.
Luisa Schmidt
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